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Eu me nego!
*Alex Garcia

Com esta reflexão tenho por objetivo relacionar o movimento de Inclusão com as Pessoas com Deficiência (PcD). Também, reflexiono, tendo como base minha identidade de pessoa surdocega, orientador e especialista em educação especial, através de critérios e condições específicas, assim como, através de críticas que as envolvem. Observo com preocupação alguns movimentos de inclusão, principalmente a inclusão na escola educação e a passividade das PcD. Estas devem fortalecer sua indignação e negação frente à "máscara inclusiva". Esta negação que minha identidade enaltece vem de longa data e parece ter surtido efeito positivo. Historicamente, me nego a aceitar o que pretendeu nos mostrar Carl Jung, um dos fundadores da psicanálise moderna, que costumava dizer que "nós todos bebemos em uma mesma fonte". Me nego a "beber na mesma fonte". Nesta mesma fonte que se encontram "as mordaças" e os "freios" ao nosso desenvolvimento pleno. Nego-me a estar numa sala de aula apenas de "corpo presente", assim como muitas pessoas de nossa sociedade destacam, que a inclusão significa fazer parte de algo. Considero importante destacar, que a inclusão também se caracteriza por interesses de cada pessoa.

Não basta apenas, e não é este o significado de estar presente ou de fazer parte, mas sim, fazer parte de algo e concorrer e usufruir os benefícios que o todo possui. As PcD são, de certa forma, excluídas duplamente: por não fazerem parte e por não concorrerem aos benefícios. É no teor dos benefícios que se encontra a exclusão e a inclusão da PcD. Pelo que observo em minhas atuações, creio que não necessitamos e não damos muita importância ao fazer parte de, mas sim à exclusão que sofremos na conquista dos benefícios, destacados pelos interesses de cada um. Interesses que todos da sociedade possuem. Interesses que nos movimentam na busca dos benefícios e destes para a satisfação de nossas necessidades de várias ordens. Se a educação não for amplamente adaptada para nos receber, e satisfizer neste contexto nossas necessidades, por conseqüência, não iremos aprender, assim, não teremos aptidões específicas para concorrer numa escala de valores com as outras pessoas no usufruto dos benefícios sociais, ruindo a satisfação de nossas necessidades com autonomia. Eu falo em negação. Falo de nossas necessidades. Falo sim de nossos interesses. Do mesmo modo que "não vou beber na mesma fonte", também não quero e me nego a ser apenas "mais um tijolo na parede". Quem não conhece Pink Floyd e a música "Another brick in the wall"? Em uma parte da música, Pink Floyd canta: All in all it was just another brick in the wall". Que podemos traduzir para: "enfim, era mais um tijolo na parede". Vou batalhar bastante e negar ainda mais para não ser mais um tijolo na parede. Mesmas fontes. Mesmas paredes e tijolos. E para não dizer as já conhecidas necessidades e interesses. Reflexões importantes que exemplificam a indispensável negação daquilo que corrompe nossa identidade e desenvolvimento. Eu me nego e você?

Referência:
GARCIA, A. Eu me Nego. Reação - Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, v. 73, p. 72 - 72, 30 abr. 2010.

*Alex Garcia. Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Escritor. Especialista em Educação Especial. Vencedor II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga-RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência Professional Program on International Leadership, Employment, and Disability (I-LEAD) Mobility International USA / MIUSA. Membro da World Federation of Deafblind - WFDB. Membro da Aliança Brasileira de Genética. Colunista da Revista REAÇÃO e do Portal Planeta Educação. Consultor da Rede Educativa Mundial - REDEM. Consultor Instituto Inclusão Brasil

 

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